Eclipse total da Lua

Fotografia Noturna


O porquê da longa exposição  e o uso de tripé


Sabemos que a fotografia é um processo técnico de produção de imagens através da fixação da luz. Mas quando anoitece e a luz ambiente é fraca, como produzimos a nossa imagem ?

Com três variáveis, podemos compensar a nossa exposição:

Aumento da sensibilidade “ISO”

Maior abertura de diafragma

Velocidades do obturador, mais lentas

Para evitar o ruído do ISO elevado e a pouca profundidade de campo das grandes aberturas de diafragma, a escolha óbvia cai sobre as longas exposições (velocidade baixa do obturador).

Para as longas exposições, de forma a minimizar os riscos de tremura é indispensável o uso de tripé, que deverá ser o mais estável e robusto possível.

Quando a maquina for instalada no tripé, deverá ser desligada o estabilizador de imagem.

Durante o tempo em que o sensor está exposto à luz, qualquer mínima tremura no sistema (ex. vento, toque, trepidação no solo, etc.) irá produzir efeitos indesejáveis na fotografia.

Fotografar sem tripé


Se o objectivo for o de congelar o movimento ou fazer uma captura mais célere de imagens, teremos de recorrer ao aumento do ISO e sacrificar a profundidade de campo recorrendo à maior abertura do diafragma disponível e caso exista, ligar o estabilizador de imagem.

Se a acção o permitir poderemos baixar a velocidade do obturador até ser possível fotografar sem aparentar desfoque na imagem, usando técnicas de sustentação da maquina.

Medição Matricial


A exposição correta de cenas noturnas em ambiente urbano é normalmente difícil de calcular pelo exposímetro da maquina, porque as cenas possuem frequentemente áreas escuras ou de fraca iluminação e também de iluminação (de diversas fontes) intensa.
Para começar deveremos usar o modo Modo de Medição Matricial, porque este faz uma medição de luz da área total da cena e o processador compara-a com modelos de referência de forma a calcular a exposição final.

Balanço de brancos (AWB) e RAW


A decisão de escolha é normalmente bastante difícil de definir no momento da captura da fotografia noturna devido à variedade de temperaturas de cor de diversas fontes de luz. Muitos fotógrafos definem a temperatura de cor da maquina para tungsténio (~3200ºk) em cidade, outros para a luz do dia (~5500ºk).


Por varias razões é vantajoso a utilização de ficheiros RAW, uma delas, é a possibilidade de alterar o “Balanço de brancos” em pós produção.    

Disparo em modo Manual (M)


Seletor em modo (M), escolhemos a abertura pretendida (ideal entre f/8 e f/16 para um tempo de exposição inferior a 30 seg.) e o valor ISO mais baixo, normalmente 100 ou 200.


Rodar o seletor indicador da velocidade até a marca de índice, coincidir com o zero da escala do exposímetro.



Fazer uma fotografia, verificar o histograma e se necessário ajustar os valores do triangulo da exposição. Para uma dada abertura com o ISO100, em zonas de muito pouca luz provavelmente terá que usar o modo "Bulb" (B) que lhe irá permitir realizar exposições para alem dos 30 segundos.

Tapar a entrada de luz do visor ótico


A câmara regula a exposição para uma determinada quantidade de luz lida através da lente (TTL) mas não tem em conta a luz que entra através do visor quando não o estamos a usar.

Tapar a entrada de luz em longas exposições é conveniente quando temos luz incidente na ocular.

Redução de ruído de longa exposição


Ao ativar esta função a câmara remove grande parte do ruído ao gravar a imagem no cartão de memória. No entanto, este processo demora o mesmo tempo que a exposição, por isso uma exposição de 30 segundos demora mais 30 segundos até exibir a imagem no ecrã. Durante este tempo, não será possível usar a máquina.


Os ficheiros RAW permitem um maior ajuste da imagem em pós-produção, nomeadamente o controlo da exposição, altas luzes, sombras e o ruído gerado pela longa exposição, e/ou ISO elevado.

Focagem Manual com Liveview

Com a fraca iluminação é sempre difícil a focagem automática, deveremos então usar a focagem manual.

Com o modo de Visualização Directa ou Liveview” da câmara, eventualmente poderemos ter de subir substancialmente o valor ISO para conseguir visualizar a cena. Fazer zoom usando os botões apropriados, e de seguida rodar o anel de focagem da ojetiva até obter uma focagem correta do ponto pretendido. Tirar o zoom, e voltar ao ISO pretendido, compensando a exposição.

Caso a luz seja insuficiente para a focagem, pode com o auxílio de uma lanterna, iluminar um objeto perto da câmara, e de seguida usar a focagem manual ou mesmo a focagem automática. Neste caso, desligar cuidadosamente o autofócus depois de ter o motivo focado, e se necessário recompor a cena com leves movimentos da câmara para não perturbar a focagem.

Durante o tempo de exposição, também podemos utilizar uma lanterna para iluminar alguns dos objetos da nossa cena, como se estivéssemos a pintar. Iluminando objetos no primeiro plano, dá a noção de profundidade da imagem.

Podemos iluminar planos intermédios, mas sabendo que quanto mais tempo a lanterna ficar ligada, mais clara irá ficar a foto.


Lentes


Basicamente, qualquer lente serve. Contudo para criar dimensão e facilitar focagem deve-se usar lentes de focal curta (ex. 10-20mm).

          Recomendável: 
  • Desligar função de estabilizador de lentes
  • Remover filtro de proteção da lente (ex. UV), que cria reflexos
  • Usar pára-sol, pois evita reflexos na lente
 

Bloqueio do espelho em DSLR


As câmaras reflex possuem uma funcionalidade de bloqueio do espelho. Basicamente o espelho é recolhido para permitir a entrada da luz ao sensor. Este movimento rápido introduz vibrações na câmara. 

Com a função de “Bloqueio do espelho” ativada, ao premir uma vez o botão do obturador, o espelho recolhe, aguarde um ou dois segundos até passarem as vibrações e, de seguida, prima novamente o botão para finalizar.

Disparador remoto


O comando com cabo, é ligado à tomada da câmara. Na outra extremidade do cabo encontra-se uma pequena unidade com um botão e um bloqueio do mesmo ("Bulb“, para velocidades de obturador superiores a 30seg.). A máquina dispara sem risco de movimento.

Para velocidades inferiores a 30 seg, e como alternativa usa-se o temporizador (2/10 seg.), que retarda o disparo.

Caso não tenha disparador, usar a opção de self-timer mais longa (10seg)


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 Qual a hora ideal?


O curto período do Crepúsculo Civil, logo após o pôr-do-sol (“hora azul”, até ~30m) , pode ser muito eficaz. O céu ainda está iluminado em redor do horizonte, embora o sol já não esteja visível e a iluminação pública já deverá estar ligada. De acordo com as condições atmosféricas podemos registar tons vermelhos, laranjas até ao azul intenso do céu. Devido à luz difusa também é ideal para a fotografia de retrato.
Sempre que queiramos usar o céu como fundo da nossa composição, esta resulta muito bem com o forte azul do céu, característico da hora.

Nesta hora e perto da fase da Lua cheia, poderemos fotografa-la junto ao horizonte Este/Nascente, criando uma composição com algum elemento terrestre.

Hora azul (de -4° a -6°)

Notas sobre o Crepúsculo: (Terra, gira cerca de 360°/24 h = 15°/h)

  • Crepúsculo da manha (de -18°a 0°)
    • Crepúsculo astronómico (de -18°a -12°)
    • Crepúsculo náutico (de -12°a -6°)
    • Crepúsculo civil (de -6°a 0°)
  • Horas mágicas de manha
    • Hora azul (de -6°a -4°)
    • Hora dourada (de -4°a 6°)
  • Dia (superior a 6°)
  • Horas mágicas de tarde
    • Hora dourada (de 6°a -4°)
    • Hora azul (de -4°a -6°)
  • Crepúsculo de tarde (de 0°a -18°)
    • Crepúsculo civil (de 0°a -6°)
    • Crepúsculo náutico (de -6°a -12°)
    • Crepúsculo astronómico (de -12°a -18°)
  • Noite (inferior a -18°)

Fotografia na cidade


Escolher composições com edificações iluminadas, evitando extensas áreas de pretos muito profundos, com exceção de composições criativas. Para reforçar uma composição e dar-lhe alguma dinâmica, podemos usar os rastros de luz produzidos pelo movimento dos carros, nos dois sentidos de uma estrada. Podemos também usar a fase de lua cheia, como fonte de luz.

Movimento aparente dos astros


Para a nossa latitude e devido ao movimente de rotação da Terra, observamos o movimento aparente dos astros, de este para oeste. Devido ao movimento de translação, verificamos que as constelações vão mudando ao longo do ano.



Movimento rotação: aprox. 465m/s (equador)

Movimento de translação: aprox. 30km/s

A Terra roda em torno de um eixo imaginário, inclinado cerca de 23º
 
Este tipo de fotografia, deverá ser feita em zonas de baixa poluição luminosa e preferencialmente, durante a fase de Lua Nova.


Fotografar a Via Láctea


Para minimizar os arrastamentos de estrelas e capturar uma imagem estática do céu noturno, existe uma fórmula simplificada e não rigorosa que pode ser usada para determinar a velocidade do obturador. Vulgarmente apelidada de regra dos 500 ou 300 consoante a maquina (Full Frame ou APS-C). Dividimos o valor pela distância focal da lente, sendo o número resultante o tempo máximo recomendo de exposição, em segundos.

(500/300) / Distancia focal = tempo de exposição em segundos

Segundo esta regra, para uma lente de 12mm não podemos exceder os 25 segundos de exposição, sem que seja evidente o arrastamento das estrelas. A regra é simplificada, com tal constatamos um leve movimento das estrelas visualizando a imagem a 100%, logo se a imagem for usada para grandes ampliações deverá ser visualizada a uma distância considerável.
Canon 600D;  ISO 3200; 12mm; f/4, 25 seg.

Fotografar rastros de luz


Fazer a fotometria da cena, dando preferência ao tempo de exposição.

Também é possível, durante o tempo de exposição abrir o zoom da lente e criar um rastro de luz, com as fontes de luz existentes.
Canon 600D; 12mm; f/16;  15seg.; ISO 100


Fotografar a Lua cheia

  • Usar um tripé com cabeça de bola
  • Desligar o estabilizador de imagem e ativar o o bloqueio de espelho
  • Usar o Modo de Medição Pontual
  • Usar o ISO mais baixo possível
  • Teleobjetiva de grande distância focal >= 300mm (APS-C)
Lua no Perigeu, Canon 1000D / ED80 /600mm / f/7,5

Estrela polar


Uma estrela circumpolar é uma estrela que, vista de determinada latitude da Terra, nunca se põe, isto é, nunca desaparece abaixo do horizonte devido à sua proximidade a um dos polos celestes



Rastros de Estrelas


Capturar rastros de estrelas em áreas urbanas é impossível, porque as luzes e a poluição luminosa tornam impossível uma exposição suficientemente longa para registar o movimento.

A solução, é o "Empilhamento de Imagens“ :

  • Capturar várias imagens em sequência usando curtas, exposições.
  • Usar software para "empilhar" essas imagens.
  • Diferentes métodos de empilhamento podem produzir diferentes resultados.

O empilhamento por ser feito usando software de edição de imagem com camadas, ou com um programa especifico como o Image Stacker

http://www.tawbaware.com/imgstack.htm
http://www.tawbaware.com/startracer.htm

Fotografia de : Miguel Claro
Canon 50D  ISO2000; 10mm; f/4, 30 seg.

Soma de 157 imagens. Tempo total de integração de 78.5 minutes


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